
E aí, minha amiga disse pra eu parar de me enganar com as pessoas.
Parar de fugir de cada uma que passa pela rua e me diz oi, parar de fugir do espelho,parar de fugir daquelas aulas que me dá medo, parar de me apaixonar por quem mora longe. E eu com essa minha pobreza em argumentos, já não sei mais
explicar o pq isso sempre acontece, apenas surge aquela vontade de esconder em baixo das cobertas no escuro com uma lanterna, ou apenas fazer como os avestruzes, colocar a cabeça perto do chão e jogar terra em cima e quem sabe esperar os dias terminarem.
Era tão fácil esse meu passado, de brincar de policia e ladrão, escrever em diário,andar de bicicleta com as crianças da minha rua, guerrinhas com balões de água, sorrisos sem preocupações, e aquelas cicatrizes no joelhos. E a cada cicatriz uma lembrança, não só a dor pelo corte, pelo o motivo em que caí, ou pela cara que minha mãe fazia, por saber que eu estava sentindo dor, por minúscula que fosse essa dor, podia ver nos olhos dela,a preocupação que ela sentia, mesmo com os meus olhos cheio de lagrimas.
Mas hoje as cicatrizes, nao sao aquelas apenas dos joelhos, nos dedos, em que apenas um bandaid
colorido resolveria o problema.
Agora pessoas surgem na sua vida, acontece abalos sísmicos. E você pode continuar sentada no onibus com os fones de ouvido, mesmo quando a bateria acabou, para as pessoas não tentarem tirar uma palavra se quer da sua boca, ou deixar que elas façam você descobrir que existe alguem em voce, alguém que nao precisa ter medo de dizer apenas um 'oi'. Porem medo que dá, não é de dizer esse oi, e não saber qual é o ponto em que a pessoa irá descer do ônibus, e que quando ela descer, leve junto um pedaço daquilo que chamamos de coração. Esse medo me faz descer sempre antes que pessoa do onibus.
Mas é sempre assim, deixo as pessoas erradas abrirem meu coração, e troco a anestesia por soro fisiologico.
entao, o lagrimas servem como um merthiolate, que arde no corte antes de fazer os pontos, e a cicatriz desses pontos, vai ser como um mapa, mostrando o caminho onde não devemos seguir novamente.
Fugindo desses caminhos, e colocando água no café, até que vire chá.